Leia a República

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Stuart Carvalhais, ilustração para um bilhete postal de propaganda ao jornal República. Década de 1910.

11.º C, a nossa turma

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de Aguiar da Beira para o Mundo

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VAMOS REPUBLICAR

Neste blog, pretendemos, de uma forma original e criativa, dar a conhecer alguns aspectos da 1.ª República portuguesa. E outras curiosidades desse tempo...

domingo, 7 de março de 2010

REPÚBLICA EM FLOR

Florbela Espanca, grande poetisa portuguesa, ingressou, em 1912, no liceu masculino André de Gouveia, em Évora, sendo uma das primeiras mulheres em Portugal a poder frequentar o ensino secundário. Em 1917, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, sendo uma das 14 mulheres entre as centenas de alunos que, na altura, aí estudavam. Nesse mesmo ano, Florbela começou a sua colaboração em vários jornais e revistas, como o «Portugal Feminino», defendendo a igualdade de tratamento entre homens e mulheres e a emancipação feminina. Deixamos aqui a nossa singela homenagem a essa grande poetisa que deu voz aos valores republicanos:


Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Mostrar o caminho
É unir as mãos e continuar sozinho
É choro, é riso, é canto, é suor!

É lutar pela liberdade até ao fim
É querer iluminar da mina o fundo
É criar manhãs de oiro e de cetim
É ser condor e reclamar o mundo!

É ter fome, é ter sede de igualdade
Por elmo, os valores em que acredita
E por pena as penas da sociedade!

É ousar enfrentar o que vier
É dar rosto à República que grita
É ser luz, é ser amor, é ser Mulher!


11.º C (com base no famoso soneto «Ser Poeta», de Florbela Espanca)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Constituição da República 1911




http://purl.pt/6925/1/P5.html

1.º Presidente da República: Manuel de Arriaga

em http://www.presidencia.pt/?idc=13&idi=38, lê-se:

Manuel José de Arriaga Brum da Silveira

Nasceu em 8 de Julho de 1840, na cidade da Horta, filho de Sebastião de Arriaga e de D. Maria Antónia Pardal Ramos Caldeira de Arriaga, ambos descendentes de famílias nobres açorianas.

Casou com D. Lucrécia de Brito Berredo Furtado de Melo, neta do comandante da polícia do Porto e partidário das forças liberais à data da revolução de 1820, de quem teve seis filhos, dois rapazes e quatro raparigas. Faleceu em 5 de Março de 1917, com 77 anos de idade.



ACTIVIDADE PROFISSIONAL

Na Universidade de Coimbra, onde se formou em Leis, cedo manifestou simpatia pelas ideias republicanas, o que provocou um conflito insanável com o pai, que o deserdou e lhe deixou de custear os estudos. Para sobreviver e pagar a Faculdade, teve então de dar aulas de Inglês no liceu.

Em 1866, concorreu a leitor da décima cadeira da Escola Politécnica e da cadeira de História do Curso Superior de Letras. Não conseguindo a nomeação para qualquer delas, teve de continuar, agora em Lisboa, a leccionar a mesma disciplina de Inglês. Dez anos depois, em 26 de Agosto de 1876, já faz parte da Comissão para a Reforma da Instrução Secundária. Simultaneamente, vai cimentando a sua posição como advogado, tornando-se um notável casuísta graças à sua honestidade e saber. Entre as várias causas defendidas destaca-se, em 1890, a defesa de António José de Almeida, após este ter escrito no jornal académico O Ultimatum, o artigo "Bragança, o último", contra o rei D. Carlos.

Na sequência dos acontecimentos de 5 de Outubro de 1910, e para serenar os ânimos agitados dos estudantes da Universidade de Coimbra, é nomeado reitor daquela Universidade, tomando posse em 17 de Outubro de 1910.



PERCURSO POLÍTICO

Filiado no Partido Republicano, foi eleito por quatro vezes deputado pelo círculo da Madeira. Em 1890, foi preso em consequência das manifestações patrióticas de 11 de Fevereiro, relativas ao Ultimato Inglês.

Em 1891, aquando da revolta de 31 de Janeiro, já fazia parte do directório daquele Partido, em conjunto com Jacinto Nunes, Azevedo e Silva, Bernardino Pinheiro, Teófilo Braga e Francisco Homem Cristo.

Nos últimos anos da monarquia, sofre um certo apagamento, dado que o movimento republicano tinha chegado, entretanto, à conclusão que a substituição do regime monárquico não seria levada a cabo por uma forma pacífica. Os republicanos doutrinários são, então, substituídos pelos homens de acção que irão fazer a ligação à Maçonaria e à Carbonária.

Depois da proclamação do regime republicano foi então chamado a desempenhar as funções de Procurador da República.



ELEIÇÕES E PERÍODO PRESIDENCIAL

Foi eleito em 24 de Agosto de 1911, proposto por António José de Almeida, chefe da tendência evolucionista, contra o candidato mais directo, Bernardino Machado, proposto pela tendência que no futuro irá dar origem ao Partido Democrático de Afonso Costa. O escrutínio teve o seguinte resultado:

Manuel de Arriaga 121 votos
Bernardino Luís Machado Guimarães 86 votos
Duarte Leite Pereira da Silva 1 voto
Sebastião de Magalhães Lima 1 voto
Alves da Veiga 1 voto
Listas brancas 4 votos

Durante a vigência do seu mandato tomam posse os governos seguintes:

- João Chagas, que vigora entre 3 de Setembro e 12 de Novembro de 1911.
- Augusto de Vasconcelos, entre 12 de Novembro daquele ano e 16 de Junho de 1912.
- Duarte Leite, entre aquela última data e 9 de Janeiro de 1913.
- Afonso Costa, entre a data anterior e 9 de Fevereiro de 1914.
- Bernardino Machado com dois governos seguidos, o primeiro de 9 de Fevereiro de 1914 a 23 de Junho do mesmo ano, o segundo desta data a 12 de Dezembro de 1914.

Assiste-se na época à divisão efectiva das forças Republicanas. De 27 a 30 de Outubro de 1911, reúne-se, em Lisboa, o Congresso do Partido republicano em que é eleita a lista de confiança de Afonso Costa, passando o partido a denominar-se Partido Democrático. Em 24 de Fevereiro de 1912, por discordar da nova linha política seguida pela nova direcção, António José de Almeida funda o Partido Evolucionista, e dois dias depois, Brito Camacho, o Partido União Republicana, divisão que, no entanto, pouco adiantará para a resolução das contradições deste período deveras conturbado. O início da Primeira Grande Guerra vem agravar ainda mais a situação, dando origem à polémica entre guerristas e antiguerristas.

O Ministério de Victor Hugo de Azevedo Coutinho, alcunhado de Os Miseráveis, que vigora entre 12 de Dezembro de 1914 e 25 de Janeiro de 1915, não vem alterar em nada a situação, acabando por ser demitido na sequência dos acontecimentos provocados pelo "Movimento das Espadas", de âmbito militar, onde se destacaram o capitão Martins de Lima e o comandante Machado Santos.

O Presidente Manuel de Arriaga tenta inutilmente chamar as forças republicanas à razão, envidando esforços no sentido de se conseguir um entendimento entre os principais dirigentes partidários. Goradas estas diligências, não dispondo de quaisquer poderes que lhe possibilitassem arbitrar os diferendos e impor as soluções adequadas e pressionado pelos meios militares, vai então convidar o general Pimenta de Castro para formar governo que é empossado em 23 de Janeiro de 1915.

O encerramento do Parlamento e a amnistia de Paiva Couceiro vão transformar em certezas as desconfianças que os sectores republicanos tinham acerca daquele militar, desde o governo de João Chagas onde ocupara a pasta da Guerra e evidenciara uma atitude permissiva face às tentativas monárquicas de Couceiro. A revolta não se fez esperar. Em 13 de Maio do mesmo ano, sectores da Armada chefiados por Leote do Rego e José de Freitas Ribeiro demitem o Governo que é substituído pelo do Dr. José de Castro, que inicia as suas funções em 17 do mesmo mês.

O Presidente é obrigado a resignar em 26 de Maio de 1915, saindo do Palácio de Belém escoltado por forças da Guarda Republicana.



ACTIVIDADE PÓS PRESIDENCIAL

Manuel de Arriaga não conseguiu recuperar deste desaire, morrendo amargurado dois anos depois, em 5 de Março de 1917. Foi substituído pelo Dr. Teófilo Braga.



OBRAS PRINCIPAIS

Distinguiu-se principalmente como advogado e orador. Alguns dos discursos políticos ficaram célebres, nomeadamente "O Partido Republicano e o Congresso", pronunciado no Clube Henriques Nogueira em 11 de Dezembro de 1887, "A Questão da Lunda", na Câmara dos Deputados em 1891, "Descaracterização da Nacionalidade Portuguesa no regime monárquico", em 1892, na mesma Câmara, "Começo de liquidação final", "A irresponsabilidade do poder executivo no regime monárquico liberal", e tantos outros. Contos Sagrados, Irradiações e Harmonia Social, constituem exemplos da sua obra como filósofo e poeta.

A experiência como Presidente da República é-nos contada na sua última obra, escrita após a experiência presidencial, intitulada Na Primeira Presidência da República Portuguesa.

Em http://www.leme.pt/biografias/portugal/presidentes/arriaga.html:

A seguir à implantação da República, a 5 de Outubro de 1910, jovens republicanos estudantes de Coimbra entraram nas instalações do Senado e praticaram actos de vandalismo, tendo destruído parte do belíssimo mobiliário da secular Sala dos Capelos na Universidade, onde se efectuam as cerimónias dos doutoramentos, e numa atitude de selvajaria, balearam os retratos dos últimos reis portugueses que estavam pendurados nas paredes. "Para obstar a outras depredações o Dr. António José de Almeida, (republicano também desde a primeira hora), convidou o Dr. Manuel de Arriaga para reitor da velha Universidade e foi dar-lhe posse a 17 de Outubro de 1910, em cerimónia sem aparato académico, mas que bastou para serenar os ânimos estudantis" (Joaquim Veríssimo Serrão, História de Portugal", v. XII,p.320).

quarta-feira, 3 de março de 2010

A nossa bandeira




A bandeira nacional, da autoria de Columbano, João Chagas e Abel Botelho, foi adoptada pelo regime revolucionário de 5 de Outubro de 1910. De acordo com o decreto-lei de 19 de Junho de 1911, a bandeira possui a cor verde (dois quintos) e a cor vermelha (três quintos), com o escudo de armas na linha divisória. Fizemos um texto para explicar os símbolos da nossa bandeira:


Era uma vez uma bandeira que nasceu de uma revolução.
Era uma vez uma bandeira vestida de sangue e esperança
(Quem muito quer tudo alcança)
Era uma vez uma bandeira que se hasteou na voz do povo
Era uma vez uma bandeira que a justiça desfraldou
(Tudo valeu a pena porque a alma se agigantou)

Cinco quinas, cinco mouros
Cinco reis mortos em dia aziago
Às mãos de Afonso quis Santiago

Cinco quinas, cinco chagas
Cinco sinais em sinal bem visto
Nos olhos de Afonso quis Jesus Cristo

Cinco quinas, sete castelos
Sete partidas do mundo
Nove céus a conquistar
(Manda El-Rei D.João II)

Era uma vez uma bandeira que floriu no mastro da democracia.
Era uma vez uma bandeira vestida de sim e de não
(Casa onde não há pão…)
Era uma vez uma bandeira feita de escolhas e escolas
Era uma vez uma bandeira que, depois de subida,
(O sonho comanda a vida)
Bate como um coração.



E agora o hino nacional:

Letra do Hino Nacional
"A Portuguesa"
Letra: Henrique Lopes de Mendonça
Música: Alfredo Keil

I
Heróis do mar, nobre Povo,
Nação valente, imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar.
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

II
Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d'amor,
E o teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar.
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

III
Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar.
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

VIVA A REPÚBLICA



Desenho de Jorge Vaz

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

LETRAS PEQUENINAS

Uma obra de Maria Paula de Azevedo, destinada aos mais pequenos:


Na sua «Breve história da literatura para crianças em Portugal», da Biblioteca Breve, Natércia Rocha afirma, na página 59:
«Está-se em plena fermentação: forte propaganda republicana com ideais de difusão cultural, avanço tecnológico exigindo expansão para produtos vários, crescimento demográfico enchendo as escolas, reflexos do Romantismo e da agitação expressa pela chamada Geração de 70. A legislação derivada da Constituição de 1911 apresenta projectos importantes para as crianças: bibliotecas escolares, definição dos objectivos da educação, ensino primário gratuito e obrigatório. Na referida Constituição de 1911, no n.º 4 do artigo 3.º do título III, consigna-se a liberdade da criança; desenvolve-se o ensino infantil oficial, que durará até 1936. O reconhecimento de que a criança passou a ser consumidor forte de leitura - mesmo que indirectamente - constitui fenómeno da primeira metade do século XX.»

Na página 60, lê-se:
«Entre 1900 e 1911, surgem quatro jornais para crianças e é após esta última data que se firmam os grandes nomes, tanto de páginas e suplementos como de jornais independentes: «ABCzinho», «Notícias Miudinho», «Pim-Pam-Pum», «Correio dos Pequeninos», e mais tarde «O Sr.Doutor», «O Papagaio», «O Mosquito», «O Cavaleiro Andante», e outros.(...) Não devem ser esquecidos, neste início de século, «O Gafanhoto» dirigido por Henrique Lopes de Mendonça e Tomaz Bordalo Pinheiro, com cuidada apresentação, «O Jornal dos Pequeninos», dirigido por Ana de Castro Osório e em 1911 «Revista Infantil» sob a direcção do seu proprietário, J.Fontana da Silveira.»

Outros nomes:
Henrique Marques Júnior, responsável pela «Biblioteca das Crianças, que publica, entre 1898 e 1910, 13 títulos, incluindo contos de Grimm e de Perrault;
António Figueirinhas, responsável por outra «Biblioteca das Crianças» e, em 1912, por «Contos para as crianças»;
Maria O'Neill, responsável pela «Biblioteca para a Infância», cujo primeiro título surge em 1913;
Maria Paula de Azevedo, responsável pela «Biblioteca Branca», de 1922;
Virgínia de Castro e Almeida, responsável pela colecção «Biblioteca para os Meus Filhos», de 1907.

E muitos mais escritores enriqueceram o espólio da literatura para criança...

Carolina Beatriz Ângelo

A proclamação da República em 1910 acalentou nas mulheres a esperança do reconhecimento do direito ao voto. «E, nesta crença, a médica Carolina Beatriz Ângelo, viúva e mãe, escudando-se no facto de o Código Administrativo então vigente conceder aos «chefes de família» o direito de voto nas eleições municipais, requereu o seu recenseamento como eleitora. A inscrição foi-lhe primeiramente negada, mas finalmente concedida por decisão do tribunal. Deste modo, no dia 28 de Maio de 1911, ela votou, «tendo sido não só a primeira portuguesa, mas a primeira latina a fazê-lo.» A desilusão, porém, não se fez esperar, pois a lei eleitoral de 1913 corrigiu esta ousadia, restringindo o direito de voto apenas aos cidadãos de sexo masculino.»

Sousa, Maria Reynolds (1985), «As primeiras deputadas portuguesas», in A Mulher na sociedade portuguesa, visão histórica e perspectivas actuais, Actas do colóquio de 20 a 22 de Março de 1985, Instituto de História Económica e Social, Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.